quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

TRABALHO PRONTA PARA MODELO

Trabalho pronto para modelo






































SISTEMA DE ENSINO REGULAR – ENSINO MÉDIO




SILOÉDE SANTOS SILVA



 








FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA






















Macajuba
2011


COLÉGIO ESTADUAL DE MACAJUBA
SILOÉDE SANTOS SILVA

















FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA











Trabalho apresentado ao Curso de Ensino Médio do CEMACColégio Estadual de Macajuba, para a disciplina Filosofia da Educação
Orientadora: Profª. Jucileide Santana de Elias










Macajuba
2011
FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA

 Avaliações e análises recentes revelam que nosso país está entre os que apresentam maiores problemas na área educacional. Chegamos ao século XXI sem conseguir nem mesmo vencer o problema do analfabetismo. São comuns as denúncias do fracasso escolar, da falta de qualidade do ensino oferecido, dos currículos inadequados, da gestão autoritária, da falta de vagas, das condições precárias em que se encontram as escolas, do despreparo dos profissionais da educação. Faz-se, pois, necessário repensar a escola, reconstruí-la para que possa cumprir com sua função social. A sociedade vem, cada vez mais, reivindicando a construção de uma escola democrática competente, diferente, adequada às necessidades de um novo contexto. Enfim, uma escola democrática, que cumpra com sua função social.
O que a sociedade espera da escola? Esta questão tem sido objeto de debates e discussões por parte de educadores, universidades, organizações não-governamentais etc. Em geral todos concordam que cabe à escola formar cidadãos críticos, reflexivos, autônomos, conscientes de seus direitos e deveres, capazes de compreender a realidade em que vivem, preparados para participar da vida econômica, social e política do país e aptos a contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, com menos desigualdade social, onde as pessoas possam viver com mais dignidade.
Para a formação deste homem, capaz de entender, interpretar e transformar o mundo em que vive, é necessário o domínio de determinados conteúdos científicos e culturais. Portanto, a função básica da escola é garantir a aprendizagem de conhecimentos, habilidades e valores necessários à socialização do indivíduo. Estas aprendizagens devem constituir-se em instrumentos para que o aluno compreenda melhor a realidade que o cerca, favorecendo sua participação em relações sociais cada vez mais amplas, possibilitando a leitura e interpretação das mensagens e informações que hoje são amplamente veiculadas, preparando-o para a inserção no mundo do trabalho e para a intervenção crítica e consciente na vida pública.
Faz-se, pois, necessário que a escola propicie o domínio dos conteúdos culturais básicos, da leitura e da escrita, das ciências, das artes, das letras.
RODRIGUES (1993), referindo-se às competências que o aluno deve desenvolver na escola através deste conteúdos, diz que:
"os educandos precisam compreender o que é uma sociedade capitalista, como ela se organiza e como se organizam as classes e os grupos sociais nesta sociedade. Precisam entender ainda como a cidade se desenvolve, as relações entre a cidade e o campo, e as relações fundamentais do mundo da produção; como a cultura se diversifica; qual o papel dos agentes culturais; como a ciência é produzida; qual o papel da ciência e da técnica no mundo moderno; como se organiza a vida política no município e no país; como ocorrem as relações internacionais; como as pessoas são manipuladas e como participam da construção e da reconstrução desse processo; por que existe a favela; por que é desvalorizado o trabalho na zona rural; por que uns ganham mais e outros menos; por que os salários não são estabelecidos em função da importância social da produção."

Nessa perspectiva, os conteúdos curriculares deverão estar sempre articulados com as práticas e os problemas sociais, cabendo ao professor organizar experiências e situações de aprendizagem que permitam que os alunos possam fazer relações entre esses conteúdos e as questões presentes em sua comunidade.
Uma outra função que se espera da escola hoje é que se preocupe em preparar o aluno para dar continuidade a seu processo de aprendizagem de forma independente, mesmo após deixar a escola. Desenvolver a capacidade de "aprender a aprender" torna-se algo fundamental no atual contexto, onde a ciência e o conhecimento se renovam continuamente.
A escola, portanto, tem o compromisso social de ir além da simples transmissão do conhecimento sistematizado, preocupando-se em dotar o aluno da capacidade de buscar informações segundo as exigências de seu campo profissional ou de acordo com as necessidades de desenvolvimento individual e social. Então, precisamos preparar nossos alunos para uma aprendizagem permanente, que tenha continuidade mesmo após o término de sua vida escolar. Isto significa que em nossa sala de aula devemos estar preocupados em desenvolver determinadas habilidades intelectuais sem as quais o aluno nunca será capaz de uma aprendizagem autônoma. É necessário a cada momento fazer o aluno pensar, refletir, analisar, sintetizar, criticar, criar, classificar, tirar conclusões, estabelecer relações, argumentar, avaliar, justificar, etc. Para isto é preciso que os professores trabalhem com metodologias participativas, desafiadoras, problematizando os conteúdos e estimulando o aluno a pensar, a formular hipóteses, a descobrir, a falar, a questionar, a colocar suas opiniões, suas divergências e dúvidas, a trocar informações com o grupo de colegas, defendendo e argumentando seus pontos de vistas.
Outro aspecto importante a ser considerado no que se refere à formação da cidadania diz respeito à formação de determinados valores, atitudes e compromissos indispensáveis à vivência numa sociedade democrática, tais como solidariedade, cooperação, responsabilidade, respeito às diferenças culturais, étnicas e de sexo, repúdio a qualquer forma de discriminação e preconceito, entre outros. É função social da escola propiciar a formação destes valores. Entretanto, valores não podem ser ensinados, mas devem ser vivenciados. É preciso que a escola e o próprio professor dêem testemunho daqueles valores que direcionam sua ação, fazendo da escola um ambiente de vivência de valores democráticos.
Quando analisei o texto que me foi apresentado, observei que três aspectos têm se destacado. O primeiro diz respeito aos Conselhos Escolares. Proporcionar  educação de qualidade significa percorrer vários caminhos e atalhos, dentre os quais: envolvimento da comunidade e da família, participação dos alunos, professores comprometidos com seu trabalho, transparência na administração, com Conselhos Escolares atuantes, organização, preocupação com todos os aspectos didático- pedagógicos, cuidados com a segurança e com um ambiente escolar limpo e acolhedor.
Acreditamos que, no quadro atual, para que a escola atinja patamares superiores de qualidade, é preciso construir um comprometimento coletivo nessa direção, e isso só é se consegue através da participação responsável na gestão da escola, dentro de um clima democrático.
 O segundo aspecto diz respeito à gestão da escola. Para muitas pessoas, democratizar a escola diz respeito apenas à democratização dos processos administrativos. Isto significa por exemplo requerer que os diretores de escola, os dirigentes regionais da educação, etc, sejam eleitos através de formas participativas, incluindo a consulta a professores, alunos, pais e líderes da comunidade. Cada vez mais fica claro que a escola deve abrir-se à participação de todos os segmentos que constituem a comunidade escolar, para que estes tenham voz e voto e sejam capazes de contribuir nas discussões que irão levar à tomada de decisões.
Um outro aspecto da democratização, mais abrangente, refere-se à concepção de que para se democratizar a escola há que se democratizar a sua oferta. Isto significa que a escola deve universalizar a sua capacidade de responder às demandas, isto é, enquanto houver criança sem acesso à educação formal por falta de vagas, não podemos falar que em nosso país temos uma escola democrática.
Ainda relacionado a este aspecto está a questão de garantir a permanência do aluno na escola. Não basta apenas criar vagas para todos. Dados estatísticos revelam que de cada 100 crianças matriculadas na primeira série, apenas 33 concluem o primeiro grau, e destas apenas 05 chegam à 8ª série sem repetência. Embora se saiba que no decorrer da década de 90 houve uma substancial melhoria nos índices de evasão e repetência, a situação ainda permanece grave. A cada ano, milhares de crianças e adolescentes abandonam a escola sem houver completado o ensino fundamental. Se pensarmos que este problema se localiza muito acentuadamente na escola pública, a situação nos parecerá ainda mais cruel, visto que são as crianças das classes populares as mais atingidas, sendo estas exatamente as que mais necessitam da escola para sobreviver ou melhorar suas condições de vida. Ao manter estes mecanismos de seletividade a escola passa a servir como instrumento de reforço às desigualdades sociais. Portanto, além de criar vagas para todas as crianças em idade escolar, é preciso pensar formas de garantir sua permanência na escola até que ela complemente sua educação básica.
Um ponto importante que tem sido considerado na discussão sobre a escola democrática diz respeito à sala de aula, à democratização do processo pedagógico, da relação professor/aluno, aluno/aluno, aluno/conhecimento. Diz respeito também à utilização de metodologias participativas, centradas não na atividade do professor, mas no trabalho do aluno.
Um terceiro aspecto diz respeito à construção da cidadania. Avaliações e análises recentes revelam que nosso país está entre os que apresentam maiores problemas na área educacional. Chegamos ao 3º milênio sem conseguir nem mesmo vencer o problema do analfabetismo. São comuns as denúncias do fracasso escolar, da falta de qualidade do ensino oferecido, dos currículos inadequados, da gestão autoritária, da falta de vagas, das condições precárias em que se encontram as escolas, do despreparo dos profissionais da educação. Faz-se, pois, necessário repensar a escola, reconstruí-la para que possa cumprir com sua função social. A sociedade vem, cada vez mais, reivindicando a construção de uma escola democrática competente, diferente, adequada às necessidades de um novo contexto. Enfim, uma escola democrática, que cumpra com sua função social.
Observa-se que há uma necessidade de implementar novas políticas publicas para a formação profissional e inserção no mundo do trabalho, investir na educação e saúde para melhor qualidade de vida da comunidade escolar, e fazer cumprir o papel da escola pública na formação profissional, criar mecanismo de avaliação educacional e institucional e o compromisso social, buscar parcerias com empresas e outros movimentos independentes (sócio- educativos) para intensificar a gestão democrática, direta, participativa e representativa com a participação dos pais e da sociedade civil na gestão da escola pública e a garantia de uma escola inclusiva.
O ideal da busca pela construção da escola inclusiva - uma escola que reconhece, respeita e responde às necessidades de cada aluno, favorecendo a aquisição do conhecimento e a aprendizagem tanto do aluno quanto do professor, está representada pelo paradigma da aprendizagem x efetividade, estruturado em torno do guarda-chuva da inclusão social. O professor aprende a internalizar as diferenças entre esses alunos de forma a aprender e a crescer em função delas e os alunos têm a oportunidade de exercitar um de seus direitos fundamentais como cidadão – o direito à educação.
As escolas que adotam o paradigma de aprendizagem x efetividade são aquelas que passam a incorporar em seus projetos político-pedagógicos o potencial, a criatividade e a cultura de cada aluno. Ao incorporar essas diferenças de forma a aprender e a crescer com elas, o professor beneficia-se da diversidade para criar uma escola mais flexível, mais aberta a novos processos, mais facilmente ajustável a mudanças e mais criativa. A valorização das diferenças e o respeito à diversidade trazem conseqüências positivas para todos os alunos na medida em que o Estado e as escolas assumem o compromisso com a transformação social, cultural e pedagógica da escola.
A discussão sobre a escola democrática certamente não se esgota nestes três pontos, no entanto estes aspectos têm centralizado os debates travados em torno desta importante questão.
Finalizando, deve-se dizer que a construção de uma escola competente, democrática e de qualidade é uma exigência social. Se de um lado somos responsáveis por sua construção, por outro lado, quando se trata da escola pública, não podemos imaginar que será possível concretizar este projeto de escola sem a decisão política dos órgãos governamentais de implementar medidas adequadas. Sozinha, a escola não pode cumprir com sua tarefa social, até porque ela não existe isolada do contexto.
Faz-se agora necessário que a sociedade civil acompanhe, controle e fiscalize as medidas que serão implementadas, exigindo do Estado o cumprimento dos dispositivos legais, pressionando para que seja garantida a infra-estrutura indispensável ao bom funcionamento das instituições de ensino e o investimento na formação, valorização e motivação dos professores.
























REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA

CECCON, Claudius et al. A vida na escola e a escola da vida. Petrópolis: Vozes, 1985.
ENGUITA, Mariano. A face oculta da escola. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.
GADOTTI, Moacir. Uma só escola para todos. Petrópolis: Vozes, 1990.
MORAIS, Regis. Sala de aula: que espaço é este? São Paulo: Papirus, 1994.
OLIVEIRA, Betty; DUARTE, Newton. Socialização do saber escolar. São Paulo: Cortez, 1987.
RODRIGUES, Neidson. Da mistificação da escola à escola necessária. São Paulo: Cortez, 1993.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. (Coleção Leitura).
FREITAG, B. Política Educacional e Indústria Cultural. 2 ed. São Paulo: Cortez/ autores Associados. 1987. (Coleção Polêmicas do Nosso Tempo).
A função social da escola. Os novos paradigmas da educação que exigem do profissional docente uma nova postura ante as desigualdades sociais ... disponível em: < http//www.textolivre.com.br/> Acesso em: 8 mar. 2009.